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Parte V: Década de 1950
Rodas de samba e curtas metragens

O universo do Mercado Modelo da década de 1950, agora no auge da sua fama, é retratado em dois filmes de curta-metragem: "Vadiação" (1954), de Alexandre Robatto Filho, o primeiro documentário sobre a capoeira, contando com a  participação de Carybé, e "Um dia na Rampa", (1957), de Paulinho dos Santos, com a colaboração de Glauber Rocha.

As rodas de capoeira de Bimba e Pastinha, os duelos e desafios dos repentistas, o samba tradicional de Salvador e a presença de instrumentistas como o violonista Irmãozinho Cego e do Camafeu de Oxossi, mestre de batucadas de carnaval, eram atrações permanentes no Mercado Modelo, atraindo a moçada que dava suas escapulidas do trabalho na estiva, principalmente no horário do almoço, quando o mercado se enchia de trabalhadores, curiosos e visitantes. Os músicos populares, entre os quais Riachão e Chocolate da Bahia - este último também barraqueiro no Mercado, - iam sempre lá, à procura de Camafeu, buscando referências para desenvolverem as suas carreiras como artistas. Eram famosas as rodas das tardes de sábado, que assumiam a feição de apresentações, pois os espectadores eram fiéis e lotavam as imediações do mercado.

Um dia na Rampa (1957), de Paulinho dos Santos

As rodas de samba do Mercado Modelo também funcionavam como pontos carimbados de encontro de literatos e artistas, como Vinícius de Moraes, Vivaldo Costa Lima, Vasconcellos Maia, Glauber Rocha e Calasans Neto, além de muitos outros, que iriam se inspirar nessa movimentação, com o cheiro típico dos cajus e abacaxis, dos mariscos e caranguejos e da maresia característica do cais da rampa. Agora era preciso esperar na fila, formada na escadaria do restaurante de Maria de São Pedro, que apesar de já famoso era diminuto, com suas nove mesas, ou então provar do tempero de qualidade oferecido na barraca de Santo Antônio, pertencente à dona Arlinda, que freqüentemente era matéria de jornais. Mercado Modelo de Salvador, c. 1959 Nesta altura, também artistas internacionais em suas visitas à Bahia, conheciam e se apaixonavam pelo mundo do Mercado Modelo. Entre estes nomes ilustres, citamos Henri-Georges Clouzot (1950), Roberto Rossellini (1957), Jean-Paul Sartre e Simone de Beavouir (1958) e Louis Malle (1961), além do escritor Pablo Neruda, grande amigo do sempre presente Jorge Amado.

 
 
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historia do mercado modelo, década de 1950