As rodas de capoeira de Bimba e Pastinha, os duelos e desafios dos repentistas, o samba tradicional de Salvador e a presença de instrumentistas como o violonista Irmãozinho Cego e do Camafeu de Oxossi, mestre de batucadas de carnaval, eram atrações permanentes no Mercado Modelo, atraindo a moçada que dava suas escapulidas do trabalho na estiva, principalmente no horário do almoço, quando o mercado se enchia de trabalhadores, curiosos e visitantes. Os músicos populares, entre os quais Riachão e Chocolate da Bahia -
este último também barraqueiro no Mercado, - iam sempre lá, à procura de
Camafeu, buscando referências para desenvolverem as suas carreiras como
artistas. Eram famosas as rodas das tardes de sábado, que assumiam a feição de apresentações, pois os espectadores eram fiéis e lotavam as imediações do mercado.
Um dia na Rampa (1957), de Paulinho dos
Santos
As rodas de samba do Mercado Modelo também funcionavam como pontos carimbados de encontro de literatos e artistas, como Vinícius de Moraes, Vivaldo Costa Lima, Vasconcellos Maia, Glauber Rocha e Calasans Neto, além de muitos outros, que iriam se inspirar nessa movimentação, com o cheiro típico dos cajus e abacaxis, dos mariscos e caranguejos e da maresia característica do cais da rampa. Agora era preciso esperar na fila, formada na escadaria do restaurante de
Maria de São Pedro, que apesar de já famoso era diminuto, com suas nove
mesas, ou então provar do tempero de qualidade oferecido na barraca de
Santo Antônio, pertencente à dona Arlinda, que freqüentemente era
matéria de jornais.

Nesta altura, também artistas internacionais em suas visitas à Bahia, conheciam e se apaixonavam pelo mundo do Mercado Modelo. Entre
estes nomes ilustres, citamos Henri-Georges Clouzot (1950), Roberto
Rossellini (1957), Jean-Paul Sartre e Simone de Beavouir (1958) e Louis
Malle (1961), além do escritor Pablo Neruda, grande amigo do sempre presente Jorge Amado.