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Parte IV: Década de 1940
Cenário exótico de fama internacional

Na década de 1940, com a divulgação de imagens da cultura baiana através do sucesso internacional de Dorival Caymmi e Carmem Miranda, o Mercado Modelo já estava no ponto para transformar-se em um dos ícones da cultura baiana e atrair visitas ilustres. Entre os primeiros, estão o cineasta norte-americano Orson Welles, que passa em Salvador e no Mercado Modelo nos preparativos de um documentário em 1942 e o escritor Aldous Huxley, em 1948.

Quando Maria de São Pedro, famosa pioneira da culinária baiana - cuja tradição continua até hoje, num restaurante localizado no primeiro andar do Mercado Modelo atual - transfere, em 1943, a sua cozinha da Ladeira da Água Brusca para o Mercado Modelo, já conta entre os seus fregueses com nomes ilustres da vida cultural e política da cidade, como Odorico Tavares, Genebaldo Figueiredo e Otávio Mangabeira.
Mercado Modelo de Salvador c. 1948
Por volta de 1945, comprava a sua primeira barraca no Mercado Modelo, Ápio Patrocínio da Conceição, melhor conhecido como Camafeu de Oxossi, capoeirista, músico, Obá de Xangô do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, freqüentemente retratado na obra de Jorge Amado. Seu espírito farrista e sua sabedoria, aliados ao seu hábito de tocar e cantar um repertório inesgotável de musicas de ijexá, capoeira e antigos sambas de roda, tornaram a sua barraca São Jorge um dos pontos de referencia mais importantes na vida cultural do Mercado. Explica Jorge Amado que ...

"... na cidade de Salvador a cultura nasce e se afirma em estranhos lugares, como por exemplo uma barraca de mercado. A barraca de Camafeu é ponto de reunião, mesa de debates e conservatório de música. Vir à Bahia e não ver Camafeu é perder o melhor da viagem. Ele é um Obá, um chefe, um mestre."

Com a chegada do etnólogo e fotógrafo francês Pierre Edouard Leopold Verger a Salvador, em 1946, a cultura popular baiana ganhou um dos seus cronistas mais entusiasmados e importantes. O "Fátúmbí" termina radicando-se na Bahia, e a partir de então, o mercado e sua rampa inúmeras vezes se tornam motivo para as suas fotografias, que contribuíram, junto com as pinturas de Carybé (que retornou para Salvador definitivamente em 1950) para consagrar o Mercado Modelo como um dos símbolos da época da Bahia dos saveiros.

Em 1949, o "Pequeno Guia Turístico da Cidade do Salvador" destaca o Mercado Modelo como um cenário de valor cultural, merecendo atenção "não só nos produtos expostos a venda, como na indumentária, gestos, hábitos e raça de mercadores”. 

Nota:
Durante a noite do 28 de fevereiro de 1943, o Mercado Modelo é atingido por outro incêndio de proporções maiores, sem sofrer, porém, grandes trastornos no seu funcionamento, sendo que os barraqueiros foram instalados provisoriamente em frente á igreja de Conceição da Praia.


 
 
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historia do mercado modelo, década de 1940